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Artes
Conheça o fotográfo Jonathan Kane


Mysterious Inspirations, fotografia por Jonathan Kane


Mistério, nostalgia, fascínio, as fotografias de Jonathan Kane, 52, parecem ser uma tentativa de apreender, juntamente com o real, a parcela de irrealidade que compõe esse mesmo real. Nos diferentes ‘tipos’ de fotos que sua arte abrange, há sempre o abstrato além do que vemos. É um artista que gosta do 'desafio de combinar elementos bem conflitantes, como pele e metal', que trata da conceitualização dos próprios sentimentos e que, quando passeia por parques, sente que as pessoas que estão ali são 'muito mais interessantes do que as coisas que eles vieram ver'.



Um desses ‘tipos’ é chamado de 'mechanics'. Kane combina humanos com maquinário. A fusão gera camadas de entendimento possível e um choque/estranhamento do que vemos; a nudez de algumas figuras acopla a esse choque um tom de erotismo, assim como os gestos, a, digamos, mise-en-scène das personagens, carrega a imagem de emoção. O maquinário dá a esse erotismo e a essa emoção uma aparência mais fraca, mais estéril. 'Há um mistério na forma pela qual as máquinas trabalham e as forças físicas que as governam'. Será que esse é um paralelo possível? O equivalente do mistério das máquinas nos homens é o erótico e o emotivo, aqui enfraquecidos e esterilizados. De que tipo de homens estamos falando?



Outra categoria são os retratos, os 'portraits', em que uma série de pessoas é recobertos por várias camadas, deformados, multiplicados, e assim acabam menos do que entenderíamos como humanos, da mesma forma que nas fotos mecânicas. Um lado importante da arte de Kane é que essas são imagens que surgem depois de filtradas pelo tempo, são seres depois do artesanato da memória. 'Até um certo ponto, muitas das minhas fotografias são sobre as mulheres que amei e como os sentimentos que tinha por elas foram conceituados em algo completamente diferente. Sobre como nós, ultimamente, vivemos dentro de nossas mentes e o quanto isso às vezes pode ser solitário'.



Diferente desses outros gêneros, há fotos em preto e branco que retratam cenas cotidianas, normais, podemos dizer. Pessoas nos parques, animais, alguma alegria, simplicidade. 'As fotos em P&B são inspiradas pelo meu amor pelo documentarismo fotográfico. Quando eu vou à eventos públicos, eu sou tomado pelo sentimento de que as pessoas são muito mais interessantes do que o que elas vieram ver. Eu ando através pela multidão esperando captar algo com o qual eu sinta uma conexão. Eu nem mesmo trago a câmera até os olhos — isso sempre muda as coisas'.



Como isso dialoga com as outras categorias de fotos? A meu ver, é também a representação de um distanciamento — desta vez presente — e já de uma nostalgia prematura, a tentativa de resguardar algo que Kane considera importante, frágil, e que está prestes a terminar. É a sensação, talvez, anterior aos outros trabalhos, mas todos eles indicam esse perda, contínuo e incontrolável ciclo de perdas em que vivemos e que escritores como Proust trataram. Nós podemos errar na seguinte afirmação, fica a sua escolha: a obra de Kane está em busca do tempo perdido, do que se perde correntemente e daquele que perderemos no futuro. Será? Há ainda outras categorias das quais não falamos; descubra no site.

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