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reportagem
Minha experiência com Ayahuasca


Uma boa meditação

Agora estou lavando as folhinhas da chacrona, é nessas folhinhas que tem o DMT, você fica ali na bacia lavando uma por uma, dá até pra conversar com as folhinhas. Daria, não fosse a falação das pessoas. Apesar de ser o trabalho das mulheres, estávamos eu e meu 'padrinho' ali ajudando. Embora falar pelos cotovelos também fosse uma qualidade feminina, o meu padrinho era muito bom nessa questão, e não parou de falar por nenhum minuto.

Mas foi nessa faladeira toda que finalmente ouvi algo que faz sentido. Na minha sessão de adventícios (é o nome que dão aos encontros do chá, sendo 'adventícios' os novatos), tinha um cara com sua namorada tomando o chá pela primeira vez. A namorada dele deve ter tido uma bad trip daquelas, ficou derretendo até 3 da manhã. No dia, foi apenas isso que percebi de interessante. Mas na roda das chacronas falavam do cara, ele é budista e disse que não sabíamos o poder desse chá, ele é muito forte e só deveria ser tomado no máximo quatro vezes por ano.


Não se preocupe, meu caro budista, eu também entendi essa parte, aqueles crentes ali perdem um precioso instrumento de meditação e autoconhecimento se embrenhando naquele tanto de mistérios e símbolos que escondem a verdade sobre a vida o universo e tudo mais.

O chá fora da UDV

A primeira vez que realmente consegui meditar usando o chá não foi na UDV, eu estava em casa, tocava um dub que parecia ter surgido do nada em meu notebook, tudo estava calmo e não tinha nada que me desconcentrasse.

Ali consegui fazer uma meditação dirigida que finalmente me deu a sensação de me dissolver no todo, me unir ao Tao. Então comecei a fazer a meditação dirigida junto aos que me acompanhavam.

Imagine que nós estamos flutuando em uma piscina. É fácil perceber a leveza e a gente sendo embalado ao sabor das águas. De repente não mais estamos sobre as águas, mas no fundo, sentindo a total falta de gravidade. Percebemos então que não há mais a divisão entre nós e a água, a consciência se expandiu por toda a água e agora se expande também para as paredes da piscina, unimo-nos a tudo a nossa volta até que percebemos ser o mundo inteiro, e nos expandimos em todo sistema solar, galáxia; finalmente somos o universo inteiro, não existe tempo, somos tudo que foi, tudo que há e tudo que virá a ser.


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Blogueiro, publicitário, um dos sócios da Agencia In Vista, estudante de jornalismo. Se interessa por psicologia, filosofia, misticismo e teorias alternativas da realidade. Foi marcado por Clube da Luta, Matrix, O Universo Numa Casca de Nós, de Stephen Hawking, pelas obras de Nietzsche, e por Mil Platôs, livro de Giles Delleuze e Felix Guatarri.
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