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jornalismo cultural
Guilherme Said

Continuando a discussão sobre o fazer do jornalismo cultural, trazemos as opiniões e o processo de trabalho de Guilherme Said, editor do Só Cultura


Guilherme Said: 'As revistas estão em um oceano de estímulos'
Com alguma frequência, publicamos textos sobre o fazer do jornalismo cultural, suas dificuldades e características próprias. Já discutimos se há público para as revistas de cultura e quem constitui esse público. Também entrevistamos Julio Daio Borges, responsável pelo Digestivo Cultural. Continuando essa discussão, trazemos as opiniões e o processo de trabalho de Guilherme Said, idealizador e coordenador do portal SóCultura.com.

Said é formado em Administração de Empresas e especializado em Empreendedorismo. À Capitu, ele fala sobre as condições de publicação para produtos impressos e o que é necessário para não morrer no mercado: 'É preciso criar canais de vendas diferentes, estar presente em eventos e cursos onde estão os seus leitores. É preciso fazer parcerias com formadores de opinião, utilizar a internet para divulgar e fortalecer a publicação', afirma. Além disso, comenta sobre blogs e cadernos de cultura e fala do trabalho por trás do seu site.


entrevista

Capitu — Como definiriam a condições que o Brasil dá para a publicação de revistas de cultura? Há público suficiente? Essa situação é diferente da de outros países?

Said — A publicação digital tem crescido muito. O livro digital está aí e não podemos fugir dessa nova realidade. Entretanto acredito que há espaço sim para as publicações impressas, porém precisam ser bastante focadas. Não é um mercado fácil e os custos não são pequenos. Nesse contexto temos como um excelente exemplo a revista Venda Mais, da editora Quantum. Publicação impressa, focada no público da área comercial. Uma revista tem que ter o seu público. Qual o seu nicho? Como essa revista vai chegar até os seus leitores? Não adianta trabalhar apenas com distribuidoras. É preciso mais. É preciso criar canais de vendas diferentes, estar presente em eventos e cursos onde estão os seus leitores. É preciso fazer parcerias com formadores de opinião, utilizar a internet para divulgar e fortalecer a publicação. Estar nos locais onde existem potenciais consumidores da sua revista. Enfim, público existe. Chegar a ele é o grande X da questão. Esse é o ponto para qualquer empresa, para qualquer produto que quer alcançar o sucesso. As revistas estão nesse oceano de milhares de estímulos, marcas concorrentes, pessoas diferentes...

A situação muda de país para país, pois aqui no Brasil dizemos que não temos tempo para ler. Em outros países eles utilizam o tempo livre para leitura. É uma cultura diferente, principalmente nos países da Europa, EUA e Canadá.

Capitu — O que acha da cobertura do jornalismo cultural de hoje? Por exemplo, dos mais famosos: Caderno 2, Estadão; Ilustrada, Folha de S.Paulo; Bravo!; Cult, etc? O que vocês sugeriria para que essa área melhorasse?

Said — Eu vejo com muito bons olhos qualquer publicação que se compromete com a cultura, em um país tão carente de reflexão, de educação e de senso crítico. Claro que cada pessoa tem sua opinião a respeito do tipo de caderno que mais aprecia. Isso varia de acordo com os interesses do indivíduo. Por exemplo, eu gosto muito de cadernos que aprofundam temas de filosofia e ciência. Outras pessoas vão preferir publicações que tratam de história da arte, matérias com artistas plásticos, teatro etc. Depende muito. Essa diversidade pode ser encontrada quando se analisa os diversos cadernos e revistas que existem em nosso meio.


'Blogs, twitters e redes sociais facilitam a disseminação das notícias e informações; levam as pessoas a uma reflexão maior, uma parada momentânea na correria do dia-a-dia


Capitu — O que pensa das centenas de blogs que cobrem cultura? Como a facilidade de publicação pode ajudar nesse trabalho de levar a informação cultural?

Said — Eu sou fã dos blogueiros culturais. Estão de parabéns. A internet é um meio muito valioso para a divulgação de informações culturais. A cultura precisa ser incentivada e os blogs, twitters e redes sociais facilitam a disseminação das notícias e informações, bem como levam as pessoas a uma reflexão maior, a uma parada momentânea, na correria do dia-a-dia. Precisamos parar um pouco todos os dias, e nos habituar a ler pelo menos 30 minutos. Será que não temos 30 minutos por dia? Com esse tempo, conseguiremos ler um livro por mês. Já está de bom tamanho, não acha? E devemos ser os exemplos para os nossos filhos. Eles precisam ver os pais lendo, tendo cuidado com os livros. Esse é um ponto importante no incentivo a leitura desde a infância. Um assunto para muitos livros...

Capitu — Qual a história do site/publicação? Por que decidiram criá-lo, qual o objetivo que pretendiam atingir?

Guilherme Said — O SóCultura é um projeto que teve inicio em 2000, quando surgiu a ideia de divulgar um trabalho de qualidade na internet, voltado para a cultura em suas múltiplas formas. Na época eu era acadêmico de administração de empresas e idealizei um modelo de site que foi evoluindo com o passar dos anos. O objetivo principal era, então, colaborar um pouco com o desenvolvimento da sociedade, através da elaboração e divulgação de matérias e artigos que incentivassem a leitura e a reflexão.

Capitu — Como é o processo de produção? Vocês tem redação, funcionam por colaboradores, por freelancers, como é todo esse trâmite?

Said — Temos um conselho editorial constituído, que são as pessoas que iniciaram e acompanharam a criação e publicação dos trabalhos desde o início da construção do projeto. Nossos colaboradores estão em diversas partes do Brasil, alguns parceiros firmados na área editorial, como editoras, escritores, jornalistas, professores e aqueles que colaboram esporadicamente. Porém não existe uma relação empregado-empregador, todo o trabalho é voluntário.

Capitu — Quem é o público? Pode-se dividir as pessoas que leem a revista em alguma classe específica, algum nível de ensino específico?

Said — O público é bastante diversificado. Muitos estudantes, professores, poetas e profissionais ligados a área de gestão, filosofia, história, economia e psicologia social.

Capitu — Como tem sido a repercussão, o feedback desses anos de publicação?

Said — Sempre tivemos e temos hoje muito retorno de todos os setores da sociedade no Brasil e em outros países. São ONG´s, profissionais, acadêmicos, políticos, escolas, editoras, escritores, enfim, centenas de pessoas e instituições que buscam estabelecer parceria com o nosso projeto, bem como divulgar nossas ações e elogiar o nosso trabalho. Esse reconhecimento é o que existe de melhor para gente, e o que nos fortalece para continuarmos adiante em prol da plantação constante das sementes da cultura e das coisas que engrandecem o ser humano.

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